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30 policiais investigados ou presos este ano no MA


Data da publicação: 08/07/2017
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30 policiais investigados ou presos este ano no MA

Militares e civis respondem a inquéritos sob acusação de crimes como corrupção, extorsão, estupro, roubo, assalto a bancos e a carros-fortes, ocultação de cadáver, assassinatos, entre outros; até agora, só dois foram excluídos da PM

 

Cabo Karuzo foi expulso da PM e condenado a 35 anos de prisão

Cabo Karuzo foi expulso da PM e condenado a 35 anos de prisão (Foto: Arquivo)

SÃO LUÍS - Trinta profissionais da área de Segurança Pública, lotados nas Polícias Civil e Militar, foram presos ou estão sendo investigados sob acusados de cometerem atos criminosos neste ano. Esses crimes, segundo a polícia, são de corrupção, extorsão, estupro, roubo, assassinato, ocultação de cadáver ou até mesmo participação em organizações criminosas interestaduais, especializadas em assalto a banco ou a carros-fortes.

Ainda neste ano, o Conselho de Disciplina da Polícia Militar já expulsou da corporação dois militares. Uma das expulsões foi do cabo Karuzo Silva Oliveira, em abril. De acordo com as informações da polícia, Karuzo respondia pela suspeita de ser integrante de um bando especializado em assaltos a banco no Maranhão e em outros estados. O Conselho definiu o militar como culpado das acusações, que foram investigadas pela Polícia Civil, e decidiu por unanimidade excluí-lo da PM.

O cabo, que era lotado no 3º Batalhão da Polícia Militar, em Imperatriz, foi preso nessa cidade no dia 1º de junho do ano passado, sob suspeita de ter participado do assalto a uma agência bancária em Buriticupu, no dia 6 de abril de 2016. Ele foi condenado a 35 anos de reclusão em regime fechado.

O outro expulso da instituição foi o cabo José Antônio Corrêa Cruz, conhecido como cabo Cruz. Ele, inclusive, após sair da corporação, foi preso no estado de Tocantins em cumprimento a uma ordem judicial da Comarca de Amarante pelos crimes de roubo e ameaça de morte, fato ocorrido no dia 4 de abril deste ano. Até a última sexta-feira, o ex-militar ainda estava preso, à disposição da Justiça, na unidade prisional de Imperatriz.

Prisão mantida
Na última terça-feira, 4, o Poder Judiciário manteve a prisão do delegado titular do 1º Distrito Policial de Açailândia, Thiago Gardoni Filipine, e de três membros de sua equipe - o investigador Glauber Santos da Costa, a escrivã Silvia Helena Alves e o carcereiro Mauricélio da Costa Silva, - e do advogado Erick Nascimento Carosi. Eles participaram da audiência de custódia, que ocorreu no Fórum Desembargador Sarney Costa, no Calhau, presidida pelo juiz da 1ª Vara Criminal, Francisco Ronaldo Maciel.

Os policiais civis e o advogado foram presos no dia 28 do mês passado, na cidade de Açailândia, acusados de organização criminosa e corrupção. Segundo o delegado-geral da Polícia Civil, Lawrence Melo, a equipe do delegado Thiago Filipine estaria realizando prisões na cidade e, para liberar os suspeitos, na maioria das vezes acordado com o advogado Erick Nascimento, era cobrado determinado valor, dependendo da situação financeira do detido. O grupo também prendia pessoas sem qualquer procedimento contra elas, que eram soltas mediante pagamento.

Investigados
A Corregedoria da Polícia Militar abriu, no começo do mês passado, um inquérito administrativo para apurar a conduta do soldado Anderson Pereira Barros, de 28 anos, que é lotado no 6º Batalhão. Ele foi preso, no dia 29 de maio, em companhia de Lucas Lima Souza de Andrade, suspeitos de terem roubado o celular de uma pessoa, na Avenida Litorânea.

No dia 30 de maio, os policiais militares do Maranhão, Brenno Duarte Bezerra e Jhon Mike Barros de Sousa, foram presos com o soldado da PM do Pará, Jack Helson Nascimento Assunção, durante a Operação Diamante, na cidade de Imperatriz, pelo crime de homicídio. As prisões ocorreram em cumprimento a uma ordem judicial expedida pelo juiz Marco Antônio Oliveira. Os maranhenses foram soltos no último dia 3 por meio de habeas corpus, mas continuam respondendo ao inquérito.

Também em maio, dia 2, o policial militar do estado do Pará Fábio Henrique Leite dos Santos foi preso na cidade de João Lisboa, em companhia de dois amigos, identificados apenas como Lucas e Adriano. Segundo a polícia, eles foram apontados como autores do assassinato a tiros de Adailton Nobre Lima, durante uma cavalgada ocorrida no dia 30 de abril deste ano, em Buritirana.

Sete policiais, do 3º e 14º Batalhão da Polícia Militar, que se encontravam com Fábio Henrique, foram alvos do Conselho de Disciplina da Polícia Militar do Maranhão. O coronel Marcos Antonio Lima disse que os policiais foram omissos, porque não tomaram providências e deixaram o militar do Pará matar um homem sem motivo.

Também está respondendo a Inquérito Policial Militar (IMP) o coronel da Polícia Militar Marco Antônio Terra Schutz por ter agredido, na madrugada do dia 1º de junho deste ano, sua namorada, a soldada Alexandra. As agressões ocorreram fora e dentro do quartel do comando da PM, no Calhau. O caso também está sendo investigado na Delegacia Especial da Mulher (DEM).

Prisão irregular
As Corregedorias da Polícia Militar e da Civil estão investigando a morte do técnico agrícola Ariovaldo Ferreira Brito, de 38 anos, e a prisão irregular de Galdenice Ferreira Brito, de 32 anos, na cidade de Loreto. O irmão das vítimas, Reginaldo Brito, de 41 anos, afirmou que a sua família ainda sofre as consequências desse ato ilegal cometido por profissionais da área de segurança. “No momento, queremos justiça e que os culpados possam ser punidos de acordo com a lei”, desabafou Reginaldo Brito.

Ainda segundo informações de Reginaldo Brito, no mês de outubro do ano passado policiais militares e civis prenderam Ariovaldo Brito, de forma irregular, com apoio do delegado da cidade. Na cela, o detido teria sofrido agressão e morreu no hospital público, em Imperatriz.
Ele afirmou ainda que, no começo deste ano, essa mesma equipe teria prendido, também de forma irregular, Galdenice Brito, em Loreto. Ela teria ficado presa na mesma cela em que Ariovaldo Brito tinha sido violentado fisicamente.

Organização criminosa
A equipe da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic) investiga a participação de militares em organizações criminosas. No começo do mês passado, a polícia prendeu na cidade de Bela Vista, Heverton Soares Oliveira, o policial militar Mailton Pereira e Marcos José de Sousa, acusados de roubo e explosão de banco.

Com o trio, foram apreendidos quatro fuzis AR/MA 5.56, três pistolas, duas 9 mm e uma PT-380; uma submetralhadora UZI-israelense; um revólver calibre 38, além de munição, três carregadores de pistola 24/7 e um rádio comunicador. Para o superintendente da Seic, delegado Thiago Bardal, há outros militares envolvidos nesse esquema criminoso.

Ainda em maio deste ano, foi preso o policial reformado Francisco da Silva Sousa, o Da Silva, na cidade de Açailândia, acusado de liderar um grupo de extermínio e de ter participado do assassinato do ambientalista Raimundo Rodrigues, no dia 25 de agosto de 2015. Esse crime ocorreu na cidade de Buriticupu.

No dia 9 de fevereiro deste ano, ocorreu a prisão do ex-policial militar Gileandro Silva Oliveira, em Goiânia. A polícia informou que esse detido também faz parte de um bando organizado, que age na Região Tocantina e é acusado de sequestrar e matar a tiros o empresário Sandes Emanoel Queiroz, no ano de 2011.

Mais ocorrências
No dia 24 de fevereiro deste ano, o soldado da Polícia Militar Orlando de Santana Fernandes Júnior, de 32 anos, foi preso em São Luís Gonzaga. Ele é acusado de ter estuprado uma criança de 12 anos. Esse fato teria ocorrido no dia 14 desse mês, quando a vítima estava indo para a igreja.

Também em fevereiro, no dia 4, foi divulgado um vídeo nas redes sociais que mostrava, de forma clara, o soldado da PM do Maranhão José Hilton Machado empunhando uma arma de fogo em meio a uma multidão, na prévia carnavalesca em um clube, na cidade de Teresina, no Piauí.

No dia 6 de março deste ano, o cabo da reserva renumerada, Antônio Aprígio da Silva, foi preso em Coroatá e encaminhado para o quartel da corporação naquela cidade, acusado de porte ilegal de arma de fogo e munições de calibres diversos. No dia 28 de fevereiro, foi preso em flagrante, por porte ilegal de arma de fogo, o cabo David Santos Pacheco, de 30 anos, na Estrada da Mata, em São José de Ribamar.

No dia 21 de março, o perito do Instituto de Criminalística do Maranhão (Icrim), Sandro Luiz Araújo de Sousa, foi preso, suspeito de vender armas de fogo, que estavam em poder do Icrim. A prisão ocorreu no Maiobão, em Paço do Lumiar, e o perito foi flagrado vendendo uma submetralhadora ponto 40 com carregador para Joubertson Cabral Sampaio por um valor de R$ 10 mil. No veículo do perito, foram encontradas uma pistola 740, várias munições e uma espingarda de pressão 5.5.

No mês passado, o tenente-coronel da Polícia Militar Miguel Gomes Neto agrediu fisicamente a sua esposa, a agente penitenciária Clodiany Carvalho Garcia, como ainda se matou, na cidade de Barreirinhas. Inclusive, no dia 8 de janeiro do ano passado, esse militar foi filmado por um cabo, a quem agrediu, e ainda lhe apontou a arma na cabeça, no quartel da cidade de Bacabal.

Caso Buriticupu
Mais de seis meses depois do desaparecimento do cabo Júlio César da Luz Pereira e do soldado Carlos Alberto Constantino Sousa, ambos da Polícia Militar, ocorrido no dia 17 de novembro do ano passado, na cidade de Buriticupu, a Polícia Civil chegou à conclusão da participação, no caso, de militares que seriam integrantes de uma organização criminosa, suspeita de cometer crimes de extorsão, ameaça, roubo e apropriação indébita na região de Buriticupu.

Esse foi o resultado do inquérito instaurado pela Superintendência Estadual de Homicídios e Proteção a Pessoas (SHPP), que transcorreu em segredo de Justiça. Os acusados, identificados como tenente Josuel Alves de Aguiar e os soldados Tiago Viana Gonçalves e Gladstone de Sousa, foram presos, mas soltos neste mês por ordem judicial.

Em nota, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-MA) informou que não compactua ou mesmo legitima condutas ilegais, supostamente praticadas por seus membros, ou quaisquer atitudes que violem o respeito à dignidade humana. E que todas as ilegalidades são encaminhadas à Corregedoria. l

FONTE: ISMAEL ARAUJO/ IMIRANTE .COM



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