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Guerra entre facções deixa 56 mortos em presídio de Manaus


Data da publicação: 02/01/2017
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Guerra entre facções deixa 56 mortos em presídio de Manaus

Rebelião foi encerrada após 12 horas de duração

Por NATÁLIA LUCAS, ESPECIAL PARA O GLOBO

02/01/2017 10:49 / atualizado 02/01/2017 22:37

Caminhão do Instituto Médico Legal, em Manaus, para onde familiares de detentos foram - Winnetou Almeida/A Crítica

 

MANAUS — O número oficial de mortos na rebelião do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, chega a 56, segundo informações repassadas pelo Secretário de Segurança Pública do Estado do Amazonas (SSP-AM), Sérgio Fontes. Inicialmente, o governo havia informado que eram 60 mortos, mas depois corrigiu o número. A rebelião, iniciada no domingo, foi considerada encerrada após 12 horas pelo Secretário, pouco após a entrada do Batalhão de Choque no presídio.

— Nós acabamos de entrar no Compaj. O Choque acabou de entrar e nós estamos fazendo a conferência. Ainda estamos fazendo a conferência dos fugitivos, mas ainda não temos um número consolidado. Vamos ter que recontar todo mundo. Com relação aos mortos, nós acreditamos pela contagem inicial, a não ser que haja algum corpo em algum lugar que a gente não tenha encontrado, que seja em torno de 50 a 60 corpos no máximo, 50 homens assassinados nessa rebelião. Os corpos estão sendo encaminhados para o IML e lá vamos fazer a identificação — declarou Fontes, nesta segunda-feira.

Esse é o segundo maior massacre em presídios, em número de mortes, na história do Brasil, atrás apenas do ocorrido no Carandiru, em São Paulo, em 1992, quando 111 presos foram mortos.

A entrada no presídio se deu após negociação. Segundo Fontes, os reféns foram liberados e neste momento o Batalhão de Choque faz a avaliação final.

— Essa entrada é decorrente da nossa negociação. O governador (José Melo) está acompanhando o passo a passo disso. Os reféns foram liberados agora, às 7h, nós fizemos a contenção do semiaberto e agora pouco entramos no regime fechado — disse.

Para Fontes o estopim da crise foi o narcotráfico:

– Os interesses são sempre ligados ao narcotráfico. Infelizmente em outros estados já ocorreu isso. Nós entendemos, o governo do estado do Amazonas e principalmente o governador José Melo, que isso é um problema do governo federal, um problema de todos e não só do Amazonasm que implica toda a sociedade. Nós hoje e ontem vivemos mais um capítulo dessa disputa pelo tráfico de substâncias entorpecentes – destacou.

A rebelião, segundo informações preliminares dão conta de uma briga interna entre duas facções.

Os maiores massacres em presídios do Brasil

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  • Rebelião na Casa de Detenção de São Paulo, conhecida como Carandiru, em outubro de 1992 Foto: Nellie Solitrenick/Agência O Globo

    Carandiru

    Em outubro de 1992, 111 presos foram mortos após a Polícia Militar entrar na Casa de Detenção de São Paulo, conhecida como Carandiru, para conter uma rebelião. Setenta e quatro policiais chegaram a ser considerados culpados pela morte de 77 das vítimas (os outros 34 teriam sido mortos por outro detentos), mas o julgamento foi anulado em 2016.
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— Foi só um lado que teve mortes. Não houve uma contrapartida da outra facção. Como falei não é uma realidade só nossa, talvez só um número um pouco maior. Ocorreu recentemente rebeliões em outros locais como Rondônia, Roraima, Acre e outros estados do Nordeste. Essa disputa está ocorrendo em nível nacional por isso é preciso uma medida de caráter nacional envolvendo os governos dos estados e o governo federal para que possamos juntos enfrentar essa situação – destacou Fontes.

Até o momento sete agentes penitenciários feitos reféns foram liberados e encaminhados para atendimento no Pronto-Socorro do Hospital Delphina Rinaldi Abdel Aziz, na Zona Norte.

O presidiário e ex-policial Moacir Jorge Pessoa da Costa, o ‘Moa’, que ficou conhecido como sendo um dos delatares do caso ‘Wallace’, que culminou com a prisão do já falecido deputado estadual Wallace Souza, é um dos mortos na rebelião, segundo informações confirmadas pelo Secretário Sergio Fontes. Moa foi preso por envolvimentos com o tráfico de drogas e também por homicídios. Em maio de 2015, Moa foi condenado a 12 anos de prisão pela morte do traficante Cleomir Pereira Bernadino, o Caçula, ocorrida em 2007.

MORTE DE TRAFICANTE ABRIU GUERRA

O assassinato, de forma cinematográfica e com armas de guerra, em junho do ano passado, do narcotraficante brasileiro Jorge Rafaat Toumani, na cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero, na fronteira com Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul, deflagrou uma guerra entre facções que controlam presídios e favelas no Brasil. O crime teria sido praticado por bandidos da facção paulista controlada por Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola.

 

Rafaat, que supostamente seria associado a uma facção carioca, foi morto com tiros que partiram de uma metralhadora calibre .50.

O Ministério Público estadual e policiais civis fluminenses, além da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), investigam a expansão da facção paulista no estado do Rio. Uma disputa por territórios, dentro e fora dos presídios, pôs fim à associação do grupo criminoso controlado por Marcola com traficantes dos complexos do Alemão e da Penha. Traficantes de São Paulo já estariam agindo na Rocinha, nos presídios do Rio e em pelo menos sete municípios fluminenses.

Segundo o “Mapa de ocupação por facção criminosa”, do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), ligado ao Ministério da Justiça, os quatro presídios federais de segurança máxima têm presos associados a 25 diferentes grupos organizados. Juntas, uma facção que atua em São Paulo e outra do Rio respondem por 41% dos encarcerados, mas há nomes menos conhecidos, de associações ligadas a cárceres das regiões Norte, Nordeste e Sul.

FONTE: O GLOBO



 



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