Dez presos fugiram na noite de ontem (3) do Presídio São Luís 2, que faz parte do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís (MA). É a segunda fuga no Complexo em menos de cinco dias. No dia 30 passado, outros quatro detentos conseguiram fugir do São Luís 1 (unidade vizinha).

PedrinhaComplexo Penitenciário de Pedrinhas

A fuga de ontem ocorreu por volta das 21h30. De acordo com a Secretaria de Estado de Justiça e Administração Penitenciária (Sejap), os detentos serraram a grade no teto do pátio enquanto lavavam a área do banho de sol. Eles fugiram utilizando uma “teresa” (corda improvisada com retalhos de lençol ou panos de chão), com a qual pularam o muro de proteção do presídio.

Dois detentos ficaram feridos ao tentar pular o muro e foram recapturados.

O Grupo Especial de Operações Penitenciárias (Geop) realizou buscas nas redondezas do complexo, mas não teve êxito em recapturar os fugitivos.

Em nota, a Sejapinformou que uma sindicância será aberta para investigar a fuga e encontrar possíveis responsáveis. Os nomes dos fugitivos não foram divulgados.

ROTINA DE FUGAS – Entre a madrugada de 28 de março (sexta-feira) à do dia 30 (domingo), onze presos já haviam fugido de estabelecimentos penais do Maranhão.

Na madrugada de sexta (28), quatro detentos da Delegacia Regional de Grajáu (a 600 quilômetros de São Luís) fugiram através de um buraco feito na parede da cela em que estavam.

No sábado (29), também de madrugada, três presos fugiram da Delegacia Regional de Cururupu (a 451 quilômetros da capital maranhense), após serrarem as grades e cadeados da cela que ocupavam.

Já na madrugada de domingo (30), fugiram do Presídio São Luís 1 (no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís)os detentos Tiago Cruz da Silva, Ismael de Jesus Campos Abreu, Francisco das Chagas Cosmo da Costa e Rafael Santos da Silva.

Eles estavam na cela 14 do bloco B, e conseguiram escapar por um túnel escavado na cela, que levava a uma área próxima à guarita, mas ainda dentro do Complexo.

Para atingir a área externa, os presos pularam o muro do presídio, sem que fossem impedidos pelos monitores encarregados de vigiar as guaritas.


CRISE
 – O Maranhão vive uma crise em seu sistema penitenciário, onde 60 detentos foram assassinados – vários deles decapitados – no ano passado, segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).Até hoje nenhum desses 11 presos foram recapturados.

A Polícia Militar (Batalhão de Choque) e a Força Nacional (federal) assumiram a responsabilidade pelo segurança do Complexo de Pedrinhas, no início de janeiro, para tentar conter a crise.

Desde então, não ocorreu mais nenhuma rebelião de detentos, o que vinha sendo uma rotina no estado.

No entanto, os assassinatos de presos continuaram. Nove já foram mortos neste ano em presídios do estado (cinco na capital e quatro no interior).

Tentativas de fugas e fugas também prosseguiram. Neste ano, no sistema prisional maranhense,ao menos 15 fugasforam frustradas, com a descoberta de túneis, e duas,concretizadas.

Em 2 de janeiro, um detento que cumpria pena no Centro de Detenção Provisória (CDP, que também faz parte do Complexo de Pedrinhas), identificado como JoerberthCutrim Mendes, fugiu pulando o muro da prisão, durante uma troca de turno dos monitores. Ele não foi recapturado.

No dia 24 de janeiro, dois presos – Manoel Gomes da Silva, o “Ligeirinho”, e Miciel Roque dos Santos – fugiram pela porta da frente da Unidade Prisional de Ressocialização (UPR) de Pedreiras (a 273 quilômetros de São Luís). Micial foi recapturado dias depois. “Ligeirinho” continua foragido.

Na madrugada de 29 de março, um túnel com cinco metros de comprimento foi descoberto no CDP de Pedrinhas.

De acordo com informações da polícia, a escavação foi achada após revista feita pelos agentes penitenciários. Também foram encontradas no CDP drogas e armas de fabricação caseira.

FONTE: imirante.com