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Segundo Horror do Maranhão


Data da publicação: 14/01/2014
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Segundo Horror do Maranhão

 


 

Érico Firmo

Para além do horror no presídio de Pedrinhas, no Maranhão, a postura das autoridades na reação ao episódio é outro motivo para espanto, embora de bem outra ordem. Esse horror é político e tem tudo a ver com o primeiro. Começa na reação imediata, de incômodo com a cobrança de alguma atitude pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Primeiro, o governo da dona Roseana Sarney (PMDB) achou que não era o caso para tais cobranças. Indo além, acusou o CNJ de divulgar inverdades. Logo depois, vídeo que expôs com absoluta crueza que a barbaridade que lá se passa era muito pior, não houve mais como minimizar. Então, o governo criticou a divulgação das imagens – sobre as quais cabe realmente discussão. Em seguida, secretário de Estado reclamou que os detentos transferidos para penitenciárias federais voltam piores. O que me chama atenção nisso tudo é que nada é culpa do governo maranhense. É problema do CNJ, da imprensa, até dos presídios federais.

Para completar, a governadora aparece para dizer que a crise da segurança ocorre porque o Maranhão está mais rico. É inacreditável. Diante da barbárie, Roseana ainda tenta transformar o horror em agenda positiva. Lamentavelmente, embora extremo, não é caso isolado. Em meio a muitas crises, a maioria dos políticos se preocupa mais em salvar a própria pele e o que sobra da reputação ao invés de priorizar a solução do problema.

 

DOIS LUGARES, UMA TRAGÉDIA

Antes de a crise maranhense ganhar contornos de escândalo nacional, entrevista concedida em dezembro pelo senador José Sarney (PMDB-AP), pai da governadora, ajuda a entender as raízes do colapso. “Aqui no Maranhão, nós conseguimos que a violência não saísse dos presídios para a rua”, disse. O mais lamentável é que muita gente há de concordar com ele. Àquela altura, presos já morriam às dezenas. Mas, enquanto matassem uns aos outros, para muita gente isso seria problema deles. São vistos como bichos ou nem isso. É uma vergonha que um parlamentar diga tal coisa e muito pior que tal pensamento tenha respaldo. Para além do mínimo senso de humanidade, é miopia não perceber que as duas coisas estão interligadas. Não demorou duas semanas e as ruas começaram a sentir os efeitos do horror que não ficou enclausurado.

DINHEIRO DA COPA, EDUCAÇÃO E TRANSPARÊNCIA

A coluna de sexta-feira tratou de reportagem da Agência Pública, segundo a qual o financiamento federal para estádios da Copa do Mundo seria maior que os repasses da União para educação nas cidades-sede. Os dados tinham por base o Portal da Transparência, da Controladoria Geral da União (CGU). A CGU, todavia, informou que os dados são incompletos. Afirma que na rubrica “educação” no Portal da Transparência não estão incluídos, por exemplo, os recursos do Fundeb. Por essa via, teriam sido R$ 1,3 bilhão para as cidades-sede só em 2013. Menos mal, muito menos mal. Mas há alguns poréns.

O primeiro é quanto à transparência do portal. O episódio mostra quão difícil é a navegação e quão pouco amigável é a ferramenta que deveria ajudar o cidadão comum a ter informações sobre o dinheiro público. A nota da CGU informa que o portal “não reúne todos os gastos sob um mesmo título”, diz que, para obter a totalidade dos valores para determinado setor, “é preciso considerar outros gastos e transferências que fazem parte dessas áreas, mas que não estão classificadas nessas categorias”. E esclarece que o dinheiro do Fundeb está classificado como “encargos especiais”. Ora, como o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação não está dentro de educação? Isso numa ferramenta que deve servir para leigos.

O problema se repete em portais da transparência Brasil afora. São pouquíssimo amigáveis e só acessíveis aos minimamente iniciados. Isso afora, servem à propaganda oficial. Evidentemente, isso serve ao leigo. Não justifica o erro jornalístico. A Agência Pública reconheceu o “erro grave”. Não vou fazer considerações sobre apuração cujos detalhes não conheço. Mas me chama atenção o relato da mesma agência de que procurou a CGU em dezembro e de que o repórter “foi orientado a somar os gastos da rubrica “Educação”. Nesse caso, pode ter havido indução ao erro.

O que, ainda assim, não elimina o erro, inclusive meu, que o reproduzi, com base no histórico de credibilidade e seriedade da Pública. Pelo que também me desculpo.

REFORMA MINISTERIAL

Aliados pressionam por mudanças imediatas no governo Dilma Rousseff (PT), para contemplar partidos como PMDB e Pros, além de possivelmente reduzir espaços dos menos fieis. A depender do PT, contudo, pouco mudará agora, além da saída de Alexandre Padilha da Saúde para cuidar da campanha em São Paulo. O partido quer deixar só mesmo para abril a saída dos ministros candidatos e trabalha pela substituição pelos atuais secretários executivos. Mudança na correlação política ficaria para o segundo mandato, se houver. Resta ver se dá para segurar a pressão.

 Jornal O Povo

FONTE: BLOG DO ALDIR DANTAS



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