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Quatro Detentos se rebelam em Pedrinhas


Data da publicação: 15/04/2012
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Quatro Detentos se rebelam em Pedrinhas

Saulo Maclean
Da editoria de Polícia
14/
 
 

O agente administrativo Edvaldo Batista, de 39 anos, foi mantido refém durante toda a manhã de ontem por detentos da Penitenciária de Pedrinhas. Os presos surpreenderam o servidor no momento em que ele fazia a escolta dos internos do Pavilhão 7 para o tradicional banho de sol. A vítima permaneceu sob a mira da própria arma, tomada pelos amotinados, que exigiam celeridade na revisão de seus processos jurídicos.

“Na saída dos presos para o banho de sol, o agente retardou um pouco a passada em relação aos seus colegas e essa foi a oportunidade que os apenados esperavam para dominar o servidor. Um dos detentos, identificado no momento apenas como Marquinhos, imobilizou a vítima com um golpe de ‘gravata’, enquanto outros três lhe tomaram o revólver calibre 38. Os internos levaram o refém para o Pavilhão 7, de onde começaram a fazer às exigências”, disse o secretário-adjunto de Justiça e Administração Penitenciária (Sejap), João Bispo Serejo.

Mais tarde, dois dos detentos deixaram o pavilhão, e os que permaneceram com o agente administrativo foram identificados como Marcos Antônio Almeida de Carvalho, de 29 anos, natural de São Luís, e Francismar Freitas Brito, conhecido como Dida, de 23 anos, oriundo da cidade de Balsas. Por volta das 11h, a dupla exigiu a presença do juiz titular da Vara de Execuções Criminais (VEC), Jamil Aguiar, e de um representante da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), secção Maranhão.

 

Disparos - Enquanto aguardavam a chegada do titular da VEC, Marquinhos e Dida chegaram a fazer dois disparos para cima. A atitude dos internos causou um clima de tensão e para evitar uma possível rebelião a segurança foi reforçada no Complexo de Pedrinhas. Homens do Batalhão de Choque da Polícia Militar; Grupo de Escolta e Operações Penitenciárias (Geop); Comando de Operações Especiais (COE) e do Grupo Tático Aéreo (GTA) cercaram a unidade prisional.

Do lado de fora, amigos e familiares de Marquinhos denunciaram que o motivo de sua revolta seria o fato de ele ter sido “esquecido” pela Justiça, que desde 2004, ano em que foi preso por assalto a uma casa lotérica, nunca viabilizou o seu julgamento. “Meu irmão nunca foi julgado. O trabalho da Justiça é tão bagunçado que, nesse período, mesmo já estando preso, a polícia já foi cinco vezes a nossa casa para prendê-lo”, disse Manuele de Almeida, de 20 anos, irmã do amotinado.

 

Negociações - As negociações que resultaram na soltura do agente foram realizadas no interior do Pavilhão 7, com a participação do coordenador da Assistência Espiritual da Sejap, pastor Edilson França; do superintendente de Execuções Penais, Fredson Maciel, e do dirigente da igreja evangélica de Pedrinhas, Leonardo Moura Silva. “É importante ressaltar a relevância do trabalho que a ala evangélica desenvolve ali [em Pedrinhas]. Apesar de toda a tensão e da revolta observada em situações como essa, os presos respeitam esse trabalho e isso permitiu que nós entrássemos para dialogar”, frisou Edilson França.

Após ouvirem do juiz Jamil Aguiar a promessa de revisão urgente de seus processos, os presos resolveram se entregar e liberar o agente administrativo. A soltura do refém, feita às 12h30, foi confirmada pelo secretário-adjunto da Sejap, que explicou o motivo de Dida ter participado do motim. “Dida está preso por um homicídio cometido em Balsas, sua cidade natal. Ele alega que há muito espera ser transferido para aquela Comarca e isso será providenciado ainda hoje”, garantiu Serejo.

O detento está em Pedrinhas desde 2006 sem receber visitas de seus familiares. Por se considerar abandonado, ele decidiu participar do motim para chamar a atenção e tentar obter a transferência para a comarca de origem.

 

Assistência - Edvaldo Batista, após ser liberado, foi atendido por uma equipe de paramédicos, que durante o motim permaneceu de plantão na porta da penitenciária. O agente administrativo, que, segundo César Bombeiro, presidente do Sindicato dos Servidores do Sistema Penitenciário (Sindspen), trabalha em desvio de função. Ele foi socorrido com sintomas de pressão alta. “Edvaldo não é agente penitenciário, mas trabalha como tal”, denunciou Bombeiro.

O presidente do sindicato informou ainda que, atualmente, apenas dois agentes penitenciários, concursados, trabalham na penitenciária. “A equipe de monitoramento é composta por seis servidores. Quatro não são agentes penitenciários. Hoje, infelizmente, temos 250 presos para cada dois monitores. Foi por causa do baixo efetivo que os detentos do Presídio São Luís de Segurança Máxima conseguiram estourar aquela sangrenta rebelião, em 2010”, alertou.

 

 

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Por causa do motim na Penitenciária de Pedrinhas, o funcionamento de grande parte do expediente da unidade foi suspenso, inclusive a visita íntima. Os presos que fizeram refém o agente administrativo Edvaldo Batista, foram separados temporariamente dos demais internos. A última rebelião, motivada pela demora na revisão de processos judiciais e superlotação, ocorreu em fevereiro de 2011, no município de Pinheiro. Na época, seis detentos daquela carceragem foram mortos, quatro deles decapitados.

 

FONTE : JORNAL O ESTADO DO MARANHÃO



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